Álbum Overnight da Banda Parachute (Longe do ideal) Mudar Estilo nem Sempre é Bom

Ao longo de sua carreira, bandas e artistas têm a natural tendência de se aventurar por ritmos diferentes daqueles que os identificam.

Experiências se expressam em influências e diferentes gêneros musicais acabam por misturar-se ao tipo de música pelo qual eram conhecidos, mexendo com toda uma fase e mudando um disco para melhor ou pior.

No caso do grupo americano Parachute, a presença do dance em seu terceiro álbum Overnight, lançado em 13 de agosto do ano de 2013 pela gravadora Mercury Records, é tudo, menos bem-vinda.

Antes conhecido por suas canções afogadas em um pop rock dócil e agradável, a banda liderada pelo vocalista Will Anderson decidiu aventurar-se no universo da música dançante.

O uso do sintetismo nas melodias das faixas de seu mais recente álbum varia entre o bom e o irritante, mostrando uma aplicação desnecessária de teclados e sintetizadores.

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Desnecessário não por ser um estilo de música ruim, não mesmo, mas por ser composto por uma batida que atrai o foco do ouvinte.

Assim, o maravilhoso vocal de Anderson acaba por perder-se em meio às batidas eletrônicas da melodia, o que é simplesmente um desperdício inaceitável.

Sempre talentoso na criação de composições belas e bem construídas, Will Anderson não perdeu a mão.

Sua letras – desta vez, um pouco mais ousadas – são bonitas, com poesia simples, sem rimas bobas ou hipérbatos.

A grande maioria do disco poderia ser de músicas espetaculares, se não fosse a infeliz decisão de inserir no plano de fundo de cada uma aquele som tão semelhante àqueles programados no teclado.

Overnight seria um trabalho decente se não fosse por faixas não tão boas, como “Higher”, “Overnight” ou “Didn’t See It Coming”.

Porém, felizmente, o talento da banda se mostra definitivo quando ouvimos “Can’t Help”, “Hurricane”, “Meant To Be” ou “Drive You Home”, canções que, mesmo com tão mencionado ritmo sintético, nos fazem dançar e repetí-las para animar o dia.

O que vale mesmo fazer a espera de dois anos pelo seu novo álbum são músicas como “Disappear” e a versão acústica de “Hurricane”, que vem quase como faixa bônus do álbum.

E é nesses poucos minutos de instrumentos leves e o vocal forte e melódico de Will Anderson que se percebe o potencial e poderio musical do grupo.

Parachute encontra, em Overnight, maneiras de se provar mesmo com uma influência não errada, mas pouco compatível com seu ótimo capacidade de criar.

É de se esperar que a experiência dance seja nada mais que uma fase.

As faixas do disco são maravilhosas para quem gosta do estilo, mas quando a melhor canção do CD é uma versão acústica, é um sinal de que é melhor voltar para o ritmo de onde se veio.

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